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Situationship: Aquele “quase algo” que não quer ser nomeado.

  • Foto do escritor: Juliana Pigolli
    Juliana Pigolli
  • 24 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

Mais um termo em inglês que caiu nas graças de todos, principalmente da geração z que, não só discute mas o vive com mais afinco. A palavra é uma junção das palavras situation (situação) + relationship (relação). Refere-se a relacionamentos sem compromisso fixo, nos quais duas pessoas compartilham intimidade emocional e/ou sexual sem estabelecer vínculo formal.


  • Há afeto, tempo juntos, intimidade, mas níveis baixos de compromisso.

  • Pouca ou nenhuma conversa sobre o futuro ou exclusividade (“E agora?”, “E se formos ver família?” etc.) e quando há a chance do diálogo, é evitado.

  • Intimidade emocional ou sexual pode existir, o que faz confundir com namoro tradicional, mas os termos “expectativas e compromisso” ficam vagos.


Quais são alguns prováveis fatores que contribuem para esse fenômeno?

Alguns contextos sociais e tecnológicos podem nos ajudar prováveis contribuições para fenômenos sociais como o situationship:

As gerações mais novas evitam rotular suas relações românticas por acreditar em espaços mais fluídos;

Tecnologia, apps de encontro e cultura de consumo afetivo: o ambiente de “opções” facilita relações mais flexíveis e menos definidas;


Desdobramentos psíquicos de se estar numa relação não definida:

Ruminação cognitiva e confusão emocional: A falta de clareza sobre onde se está gera ruminação cognitiva (pensamentos repetitivos), dúvidas sobre “será que ele/ela está comigo?” ou “o que isso significa pra mim?”

Autoimagem fragilizada: Pode haver diminuição da autoestima: “Por que não definimos?”, “Há algo de errado comigo?” — especialmente quando uma das partes está mais investida que a outra.

Hipervigilância emocional: Na ausência de estabilidade, o sistema de apego é ativado: a pessoa passa a monitorar sinais do outro, interpretar mensagens e silêncios, buscando pistas de validação.

Dependência emocional disfarçada de desapego: Apesar da aparência de “relação leve”, muitas situationships criam dependência afetiva, pois a validação vem em doses intermitentes.

Limites não estabelecidos: A ausência de limite claro e de expectativas explícitas impede que a pessoa se posicione (quem eu sou nessa relação?), o que torna difícil dizer “chega” ou “vamos avançar”.


Claro que não tem só o lado negativo da coisa!

Para algumas pessoas esse modelo funciona : liberdade, não-pressão, viver o presente. Mas é preciso que haja concordância mútua ou consciência de que há limitação. 


Em contexto de saúde emocional, é relevante perguntar: “Estou aceitando essa indefinição por escolha ou por medo?” “Estou me adaptando à falta de reciprocidade ou realmente combinado com a outra pessoa?”


Se uma pessoa está em uma situationship e apresenta angústia, pode ser útil trabalhar clareza de valores, limites, expectativas e o alinhamento ou não delas com a outra parte.


Dicas da psicóloga:

Converse: o rótulo pode não precisar existir, mas a comunicação sim. Ouvir o que a outra pessoa está disposta ou não a dar não é opcional.

Observe sinais de discrepância: se você quer compromisso e o outro quer leveza, isso vai gerar sofrimento. 

Avalie se a indefinição está sendo útil ou prejudicial: se está gerando mais dor, ansiedade ou prejuízo para sua vida, talvez seja hora de mudar.

Busque apoio psicológico se achar que é a hora. Conversar com terapeuta ou mediador pode ajudar a identificar padrões e atuar.


Nem todo vínculo precisa de rótulo, mas toda relação merece clareza.


📚 Referências

🔹 George, A. S. (2024). Escaping the Situationship: Understanding and Addressing Modern Relationship Ambiguity Among Young Adults. Partners Universal International Innovation Journal, 2(3), 35-56.🔗 zenodo.org/records/11298549


🔹 Marques, Ana Angélica Martins. (2022, 28 set.). “‘Situationship’: o que significa novo termo usado pela geração Z.” UOL Universa.🔗 uol.com.br/universa/colunas/morango/2022/09/28/situationship-na-minha-epoca-tinha-outro-nome.htm


🔹 Doutor Jairo. (2024, 20 jan.). “Situationship: o que significa e 7 sinais de que você está em uma.” UOL.🔗 doutorjairo.uol.com.br/leia/situationship-o-que-significa-e-7-sinais-de-que-voce-esta-em-uma

 
 
 

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